Aprenda que: Tem dias que estou hiper sensível e tem dias que estou bandida. Portanto, quando eu estiver sensível, cuide de mim. E quando estiver pra bandida, cuide muito bem de você!

Leve-me dessa vida irremediável 

Dê-me uma borracha para que

eu possa apagar a minha existência.

Para que esse nada que vivo

passe a se tornar menos ainda. 

Apague todos os vestígios de mim, 

todas os momentos indesejados.

Os cigarros que traguei; me entreguei

como não se podia fazer, sabe? 

Eu sei… Será preciso de muitas borrachas. 

Roube-as, para apagar as cicatrizes. 

Furte-as, para tornar-me limpa. 

Mesmo que, assim, os restos fiquem. 

Restos de muitas tentativas nulas

de ser forte e ultrapassar meus medos,

de arrancar a dor e o sofrimento, 

como se arranca um câncer… Maldito. 

Maldita fraqueza que me consome. 

Migalhas de uma vida não vivida,

de uma história desperdiçada.

Resíduos que sobraram da borracha, 

são agora, resíduos de mim e da minha

enfadonha vida, medíocre vida. 

Dê um fim à essa tortura… 

Mas lembre-se (de mim) ao apagar,

palavras soltas no seu fichário escolar,

de garota aplicada, indignada

com a minha impureza descabida 

e tão cabida de mim. 

Estou cansada de você, enfadonho! 

Por todo esse tempo, te drenei, te suguei 

como uma sanguessuga à beira da morte. 

Prometi que o faria até o fim de mim. 

Então, querido, acho que me esgotei. 

Eu poderia tentar de novo, mais uma vez,

mas estou cansada de você, enfadonho! 

Nessas minhas últimas palavras, assumo: 

Detesto me submeter àquele sorriso

amarelado depois de um dia miserável. 

Eu juro que tentei transcender meu eu,

tentei escrever mais um capítulo sobre você

… Mas faltam-me forças para isso. 

Saiba que todas as minhas palavras

bonitas e angustiadas, me fazem

querer anunciar um funeral. 

Portanto, enfadonho, ordeno que se vá!

Saia de perto de mim

      [e dos meus monólogos intragáveis.

Desafio; velocidade; 

(qual a minha) identidade?

Velhos problemas, fascínio; 

(eu tenho um) alicerce? 

Vontades, impulso;

(preciso de uma) mudança. 

Herança, permanência; 

(limpar todas as) poeiras. 

Gritos, protesto: 

(não quero ser movida a) sonhos.

Resistência, transe;

(livra-me deste) pesadelo. 

Murmúrio, apito;

(isso parece um) subúrbio. 

Incertezas, dilemas;

(não acredito em) milagres. 

Dominar, dominó;

(eu preciso) dormir. 

Eu só posso estar sonhando. 

Pesadelando… Existe esse verbo? 

Não importa. Você se importa? 

Você é capaz de cuidar 

da minha alma conturbada? 

Dos meus tropeços

durante a caminhada? 

Não? Eu já sabia… 

Então, por favor, suma. Durma. 

Só não me acorde. 

Deixa-me aqui, presa.

E deixe a luz acesa. 

Noite qualquer, inscrita

nas aleatoriedades mais 

sinistras, e que se fizeram 

verdade; realidade. 

Que faz der o interior

daqueles poucos que ainda 

                        [se importam. 

Veem a dor nos olhos dos cegos, 

que ouvem os gritos dos mudos 

e tentam calá-los - em vão -. 

A consciência está escassa 

e o tempo também. 

Certo dia, não haverá mais dia,

o céu se tornará escuro 

e o cinza dos dias chuvosos 

resumirá aquilo que chamamos

                                       [de vida

Todo o arrependimento 

será só isso, apenas isso. 

Gotículas incessantes, e irritantes

que batem na minha janela

em um pedido subtendido 

                             [de licença:

Recuso. Acuso-as de tirarem

                             [meu sono 

Cabisbaixas, seguem gesticulando

                             [e escorrendo

pela janela, que segundos depois é

invadida por resíduos líquidos

de uma mágoa esdrúxula e infantil. 

Eu só queria dormir! Cochilei… 

Fortes e assustadores trovões

que se apresentam informalmente

destruindo minha quase-noite. 

Chuva devastadora que sucumbia

os desejos e sonhos de uma alma. 

Pobre alma: vazia e paralela,

conturbada e incrédula

com ela (a noite).

Devo dizer que isso não é um pedido de ajuda, talvez apenas um desabafo de quem só se basta assim, de quem só conversa escrevendo, poematizando tudo que se vê por aí, até mesmo as coisas desnecessárias. O semáforo fecha, permitindo-nos observar com cautela a calma e o alvoroço de quem faz malabares com limões – que caem, apodrecem, mas ainda assim servem para algo –. Serão limões mais úteis que eu?

Redijo numa quinta-feira qualquer, de uma semana qualquer. Em uma aula irritante de Química, com uma professora – não tão – irritante. Dia em que as coisas não caminham muito a meu favor. Está calor. A rouquidão da minha voz torna-me mais impertinente do que o normal. A dor de garganta está indo embora, aos poucos, assim como a minha vontade das coisas, de tudo. Triste. O dia também se vai, levando consigo as esperanças de um resto de tarde ou noite.

Dera eu estar animada para o tão esperado feriado que me livrará da sétima aula de Biologia, do blá-blá-blá escolar de todos os dias. Confesso que viria para ter a última aula de Literatura, com a professora da voz suave, que caminha de forma suave, que me deixa leve, pedindo para que me leve.

Animada eu devia estar com o convite de uma garota, de uma mulher, de uma alma bonita e literária, que me convidou para desfilar no feriado, mandou-me agilizar o chapéu de jornal. Aceitei. Ora, como poderia recusar tão convidativa proposta? Talvez uma pseudo-ordem de alguém que detesta “pseudos”, mas vive deles.

Volto a indignar-me com o assunto dos limões… Ando tão apodrecida, amolecida, descabida da vida. Literalmente imprestável! Querendo servir de limão para alguma criança carente, que não me deixaria cair. Eu saberia como é voar por alguns segundos, sem ideias mirabolantes de jogar-me da sacada da minha casa… Só para ver como é morrer antes de chegar ao chão, só para deixar a matéria morrer, já que o interior está morto há tempos. Só pra isso. Só isso.

Devo ressaltar que isso não é um apelo, tampouco uma tentativa. Como já dizia a garota-do-chapéu-de-jornal, escrevo porque a vida não me basta. E se a vida não me basta, vou dar um basta na vida. 

E naquele dia foi como se eu

escorresse pelo ralo com a água

que deslizava e percorria meu corpo

desnudo, ínfimo diante do frio que

arrepiava-me a pele, tornava-me

nada além de um corpo sozinho e

desprotegido, vazio e nostálgico

sofrendo por um sorriso alheio,

por um sentimento inexistente

empoeirado corpo que transbordava,

sangrava todas as expectativas,

todas as lembranças, todos os vínculos.

Em um banho doloroso, todo esforço

se fazia nulo, era em vão.

Em um doloroso e demorado banho,

tudo se fazia nada, tudo era pouco

perto do que sentia naquele momento.

Ah… Aquele momento, maldito momento.

O chuveiro, por mãos calejadas era

len… ta… men… te desligado.

Todos os sentimentos se esvaíram

por meus poros empoeirados

saí viva e intacta, era meu próprio escudo

Não sentia, estava vazia, inerte.

Até sorria, até caminhava, até nem lembrava.

A música toca, e… Era uma vez alguém

vestida de forte, fantasiada de alguém

que não eu…

Quem és tu

que me atormentas

em um silêncio estridente

me orientas?

Faz de mim um emaranhado

de palavras que redijo

E não só isso:

Eu clamo e grito

Minhas mãos estão gélidas

minha retina cansada

Tira-me os dias

que as noites tenho contado

Cuida-me, leva-me!

Fite meus olhos para sentir

a imensidão da alma

E então veja o quão escassas

minhas palavras são

É tão triste que chega a dar tristeza

Posso enxergar sua áurea

caminhando em minha direção

Traz consigo a solução

que me alegra o coração

Arranca-me os sentidos de forma lenta

sussurre em meus ouvidos

tais palavras que tanto me atormentam

Desta forma, levar-me-á a dor

transformará em pouco este nada

faça-o sem ao menos algum pudor

Faça de mim um anjo como ti

assim, motivo para chorar não terei

Este meu coração aflito

não se sentirá tão perdido

Leva-me contigo, sem malas, despida

Sinto enormes garras a me arranhar

o que antes era escuridão, começa a clarear

Estou tão, tão fria que as lágrimas se cristalizaram

O que antes era dor, virou amor

As garras que me arranhavam

agora acaricia-me, decifrando minhas façanhas

Corro por um corredor sem fim a teu encontro

Sinto-lhe junto a mim, já não há porque gritar

Não arranha, não sangra

Não arde, não incomoda

Lavou-me por inteiro.

Não dói, não é doído

Não faz doer, não está doendo

Meu anjo querido, caído

cá estou para de amar

Sei que assim como eu, tu fostes ferido

Mas hei de te curar

Tuas enormes e belas asas, antes machucadas

carregam-me por aí, voando formosas

Se o que redigi fora complicado

nestes últimos versos será simplificado

Não sinto, te sinto.

Leve de mim essa dor

ensina-me a praticar o desamor

Não esqueças meus órgãos a se remoer

Desistirei dessa tentativa de ter 

um alguém que me faça sentir

Já que poucos estão dispostos a ter

imagine a fazer-me sorrir

Neste papel eu trago 

algumas palavras em ruínas 

Acendo meu cigarro e trago 

estas embaraçosas e singelas rimas 

Tira-me esta agonia 

Faça dia minhas noites; açoites

Gritam de dor pelo amor

Por qual motivo tu fazes doer, senhor? 

Corrói-me as entranhas

faz de mim nada, além de pó 

Palavras não explicam como arranha

minh’alma torna-se um nó… 

Vou ser leve como a brisa e me guiar

Talvez um tanto breve, como a garoa a molhar

Minhas roupas no varal

Meus passarinhos no quintal

Meu corpo está cansado

meu cabelo bagunçado

Minhas mãos frias

tais como esses dias

Redigo a caneta e sorrio ao me questionar:

Por que seguro uma borracha,

se nada posso apagar?

Monto e desmonto essas rimas

Da mesma forma que desmonto e monto meus dias

Nada além disso, isso ou aquilo outro

Encontra-me ali na esquina

dê dois passos a direta, depois para a esquerda

Vá em frente, atente-se

Vivo de meios sorrisos e meias palavras

Dera eu viver de meias dores e meios amores

Clamo por um bocado de sanidade, lealdade

Só não saudade…

Disso, repleta já estou

Sinto saudade

de quanto não sabia amar e ficava apenas a sonhar

com um beijo de cinema

um roçar de lábios tão leve quanto uma pena

De cena em cena, meu caro…

O amor nos condena.

Parabenize-me. Dê-me tua mão para que possamos caminhar

Em um asfalto qualquer, pode até ser uma trilha esburacada; suspire

Puxe o ar que sai de minha boca: quente e voraz num suspirar

Diga, cante, dance, gesticule. Faça algo de seu feitio que me inspire

 

Você, moça-bonita. Cabelos negros… Chamativos, assim como os lábios

Pele esbranquiçada, preservada com mãos leves como de quem tece

Meu suéter predileto: relíquia. Você, moça-bonita, comparada é aos raios

Que passam e levam e não me deixam inteiro para que me leve

 

Segue adiante com seus passos longos e lentos, caminhando

Sem pressa e tão dispersa, incapaz de assimilar meus versos:

Aspiro-te. Em ti me ins… pi… ro… – Solto.

O tempo passa e acabamos por notar muitas coisas… Coisas banais, mas que fazem total sentido na vida de qualquer um - ou quase todos. Que seja. Uma das coisas: Quando choramos por um filme, não é - apenas - por ele ser bonito, fofo, etc., e sim… Por ele retratar algo que você teve, tem… Ou possivelmente terá depois das ideias malucas e românticas que lhe aparecerão na cabeça. A vontade incontrolável de ir até a tal pessoa e fazer isso que estou fazendo. Acontece que nem sempre é o mais viável ou correto, nem sempre numa lista de “sim, talvez, não”, receberemos um “sim” ou no mínimo um “talvez”. E acabamos notando outra coisa que realmente, faz sentido na vida de qualquer um… É triste, porém real. Olhar-se no espelho e sentir-se fraco ao ver as terríveis olheiras que maquiagem alguma taparia, olhos inchados que lhe impedem de tirar uma boa fotografia… Coração quebrado que nos faz pensar antes de sorrir e dizer: “estou bem”. Alguém chega e os olhos são rapidamente enxugados. As lágrimas viram então, apenas vestígios de um amor que não acontece, escorre pela face e depois não passam de apenas marcas molhadas no teu moletom. Ora essa… Será mesmo que toda paixão tem estes fins trágicos? Sinto-me como um balão daqueles de festas infantis, que n’uma hora cheios, completos, lotados, transbordando… Pesados; n’outra, vazios, furados… Abalados, jogados. Quero sorrisos, quero sentimentos. Paixão que me deixe idiota, insana. Quero parmanência, ao invés de desistência.

E hoje eu só peço para que

não me prive das palavras

que estas não se enjoem de mim

Não sumam!, não escorreguem por

entre meus dedos molhados

Dentre tantas coisas, escolhi ser isso:

Alguém que não diz, escreve

que, sufocadamente sente

Sente o vazio que corrói o interior

as palavras frias que ecoam na mente

O toque aquecido nos meus dedos gélidos

Meu coração gélido, esfacelando-se

virando - lentamente - quente

Apaixonado, chocado, transtornado.

Buracos antes expostos

agora são apenas lembranças

de um passado tenebroso.

Vá!, memórias, não as quero aqui

Mas eu já devia saber… 

Lembranças nunca morrem

não somem, não te deixam, atormentam

Torna doentio e fictício

Separando-me do real

Em suma, só queria dizer-lhes que

Dentre tantas coisas, escolhi ser isso:

Alguém que sente pelas beiradas

escreve e vive tropeçando nas palavras

Nas meias-palavras, nos meios-amores

Nos meios-sorrisos, inteiros cl(amor)es:

Faça de mim, algo além de mim. 

Pequena menina d’alma grande

Alma que grita, esperneia e faz

                                                        Eco

                                                            Eco

                                      Perde o fôlego em clamores:

                                      “Esvazie-se para calar as dores”

                                       Que chova e que troveje

                                       Só não permita inundações

                                       Elas fazem transbordar e bordar

                                       Ferimentos permanentes, difíceis

                                       De serem tapados, estampados

                                       Ficam em nosso íntimo

                                       Marca registrada, passada

                                       E, feita do passado que

                                                                              V

                                                                                 A

                                                                                     I

                                                                                        E

                                                                                    V

                                                                                O

                                                                           L

                                                                       T

                                                                   A

                                         Sem data, nem hora marcada

                                         Apenas para reforçar os registros

                                         Que tanto doem e fazem sofrer

                                         A pequena menina d’alma grande

                                         (grande) o bastante para abrigar

                                         Todas as dores sem expulsá-las

                                         Até o fim, até seu fim

                                         Menina dolorida, inibida, adoecida.

Em um teatro tão lotado quanto este amontoado que em mim reina. Amontoado de alguma coisa, que não-sei-o-quê,  sei-quê-lá. Sentada numa poltrona macia e vermelha, anseio a entrada. Bailarinas que dançam e com elas meu coração baila. Meus olhos giram e pousam sem rumo no palco bonito e mórbido. A música que penetra em meus ouvidos, fazendo-me pequena. Ínfima e nada, nada além de matéria que virará pó. Menos ainda que à dança que tanto pensava enquanto assistia. Que relutava contra meus pensamentos que tão depressa me assombravam. Bailarinas que felizes dançam tristemente… Mistério indecifrável. Garotas e garotos que incorporam a música, sendo mais que apenas bailarinos. Artistas… Talvez pessoas que fujam da primeira pessoa do singular; Aprendendo e se mantendo do infinitivo das coisas enquanto não sabem conjugar. Lágrimas que imperceptivelmente escorrem da música que toca. Que tampouco podemos ver, mas faz-se presente naquele que a arte sente. Desce rasgando o seu interior, como se fosse um horror ali estar a assistir, como se não bastasse sorrir para dizer que elas bailam lindamente. Sentem-se expostas, nuas. Desprovidas de qualquer armadura que lhes protejam… Estampando a face com um sorriso tristonho daquele amor não concebido, da perda dos sentidos quando nada fazia sentido. Daquele beijo esperado, mas tão proibido. Do amor que tais bailarinas procuram e encontram no palco. Amor que dura. Amor que se doa e se ganha… Amor que dança, dança e faz machucado nos pés, arranca sangue da pele branca repleta de pó de arroz… Que exige segurar o choro, sem soluçar ou reclamar, na inocência de dizer que: seja lá qual sentimento for, sorrirá, mas sentirá a dor…Que tampouco, por sorte, não pode nos matar de amor.

Quero uns romances duradouros, tardes livres com filmes legendados. Olhar nos olhos, falar pouco. Acabar com a ideia d’um amor inacabado. Nada de sentir-me vasta e vazia nas madrugadas frias. Chega de domingos chorosos, devastadoramente tediosos. As palavras que me transbordam desorganizadas exigem complementos; tormentos elas viram caso não passadas para o papel. Saem de mim: esvaziando-me. Enchem o mundo: Contagiando-o. Nada mais quero do que enfeitá-lo – o mundo – com minhas não tão sutis palavras. Palavras que tampouco dizem por mim, que dirá por tantas vozes, dera eu fazer-te no mínimo identificar-te com algumas meras frases, que se importasse… Com qualquer coisa: Uma vírgula ou ponto fora do lugar, a falta do parágrafo ou a falta de vírgula que não te deixa respirar. Mas sabe… Quero um romance assim, sem vírgulas, nem pontos. Nada dessa tal gramática formal. Quero um romance sem pausas nem fins. Já perdi as contas de quantos fins que poderiam ser chegadas presenciei, das lágrimas que derramei na tentativa de recuperar meu eu, enquanto ele estava perdido nos trilhos do passado. Pretérito imperfeito. Tão imperfeito que chega a dar desgosto de olhar para trás. Tão real e surreal no mesmo instante que, acaba por tornar-me inconstante, querendo apenas ser uma constante à procura de um romance. Um romance que dure… Que perdure. Um amor, um beijo de cinema. Fins felizes do cinema… Sabe? Aqueles que só o cinema tem… (e que não existem). 

KEISHACANFLYY